Adriano Nuvunga pede intervenção do Banco de Moçambique contra juros elevados e alerta para impacto na economia nacional

Adriano Nuvunga pede intervenção do Banco de Moçambique contra juros elevados e alerta para impacto na economia nacional

O ativista pan-africano dos direitos humanos e académico Adriano Nuvunga apelou ao Banco de Moçambique para que intervenha na política de juros praticada pelos bancos comerciais, defendendo que as atuais taxas cobradas aos clientes estão a dificultar o acesso ao crédito, a travar o investimento e a comprometer o desenvolvimento económico do país.

A posição foi tornada pública através de uma carta aberta dirigida ao governador do Banco de Moçambique, na qual Nuvunga sustenta que o elevado custo do crédito deixou de ser apenas uma questão financeira para se transformar num problema com implicações sociais e constitucionais.

Segundo o professor, milhares de famílias e pequenas empresas enfrentam dificuldades para financiar projetos, adquirir habitação ou expandir negócios devido às taxas de juro consideradas excessivas, situação que, na sua visão, limita o exercício de direitos económicos previstos na Constituição da República de Moçambique.

Juros elevados preocupam economista e ativista

Na carta, Adriano Nuvunga apresenta dados que considera preocupantes sobre o atual panorama financeiro nacional.

De acordo com o académico, a Prime Rate encontrava-se fixada em 15,50% no dia 3 de julho de 2026, enquanto alguns créditos à habitação destinados aos jovens eram concedidos com taxas que rondavam os 32%, tornando o financiamento imobiliário praticamente inacessível para uma grande parte da população.

Para o ativista, esta diferença entre a taxa de referência e os juros efetivamente cobrados pelas instituições financeiras levanta dúvidas sobre o funcionamento do mercado bancário e sobre a eficácia da supervisão exercida pelo regulador.

Na sua análise, os spreads aplicados pelos bancos comerciais precisam de maior acompanhamento para garantir que o sistema financeiro cumpra o seu papel de impulsionar a economia e não apenas gerar elevados níveis de rentabilidade.

“O sistema financeiro está a falhar os moçambicanos”

Um dos pontos centrais da carta é a crítica ao reduzido acesso da população ao crédito formal.

Segundo Nuvunga, o facto de muitos cidadãos continuarem a recorrer ao xitique, a empréstimos informais entre familiares ou aos chamados agiotas demonstra que uma parte significativa da sociedade permanece excluída do sistema financeiro tradicional.

O académico considera preocupante que, mais de cinco décadas após a independência nacional, muitos moçambicanos ainda encontrem nas formas informais de financiamento a única alternativa para responder às suas necessidades económicas.

Na sua perspetiva, esta realidade evidencia fragilidades estruturais do setor bancário e reforça a necessidade de reformas capazes de tornar o crédito mais acessível para famílias, jovens empreendedores e pequenas empresas.

Banco de Moçambique é chamado a assumir papel mais ativo

Na carta aberta, Adriano Nuvunga defende que o Banco de Moçambique deve ir além do controlo da inflação e assumir um papel mais abrangente na promoção do desenvolvimento económico.

Segundo o professor, a missão da autoridade monetária não deve limitar-se à estabilidade macroeconómica, mas também criar condições para que o sistema bancário contribua efetivamente para o crescimento da economia nacional.

O ativista entende que um mercado financeiro saudável deve facilitar o investimento produtivo, estimular a criação de emprego e permitir que cidadãos e empresas tenham acesso ao crédito em condições sustentáveis.

Comparação com intervenções anteriores

Para sustentar o seu argumento, Nuvunga recorda que o Banco de Moçambique já adotou medidas para intervir no mercado cambial em momentos considerados estratégicos para proteger a estabilidade económica.

Na sua opinião, a mesma capacidade de intervenção poderia ser utilizada para incentivar uma redução dos custos do crédito praticados pelos bancos comerciais, sobretudo num contexto em que empresas e consumidores enfrentam dificuldades para obter financiamento.

O académico defende que a redução das taxas de juro poderá estimular o investimento privado, aumentar a atividade empresarial e impulsionar setores considerados fundamentais para o crescimento económico do país.

Debate sobre o custo do crédito ganha força

A posição de Adriano Nuvunga reacende um debate recorrente em Moçambique sobre o elevado custo do crédito bancário e os seus efeitos na economia.

Nos últimos anos, empresários, associações económicas e diversos analistas têm alertado que os juros elevados dificultam a expansão dos negócios, reduzem a capacidade de investimento e limitam o crescimento das pequenas e médias empresas, consideradas essenciais para a criação de emprego.

Especialistas defendem que encontrar um equilíbrio entre a estabilidade financeira e o acesso ao crédito continuará a ser um dos principais desafios da política monetária moçambicana nos próximos anos.

Enquanto isso, cresce a expectativa sobre um eventual posicionamento do Banco de Moçambique em relação às preocupações apresentadas pelo académico, num momento em que o acesso ao financiamento continua a ser apontado como um dos maiores obstáculos ao desenvolvimento económico e social do país.

Fonte: Voz Africano

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