A economia moçambicana enfrentou, nesta semana, uma série de acontecimentos que poderão influenciar o rumo financeiro do país nos próximos anos. Entre os principais desafios estão a redução da ajuda bilateral do Reino Unido, o aumento da inflação e o alerta para um possível regresso de Moçambique à lista cinzenta do Grupo de Acção Financeira Internacional (GAFI).

Reino Unido Reduz Ajuda Bilateral

O Governo do Reino Unido anunciou uma redução gradual da ajuda bilateral destinada a Moçambique. Segundo o Relatório e Contas 2025/26 do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Commonwealth e Desenvolvimento britânico, o financiamento anual deverá diminuir dos actuais 58,5 milhões de euros para 5,8 milhões de euros até ao exercício financeiro de 2028/29, o que representa uma redução de cerca de 90%.

O plano prevê:

  • 2026/27: 32,1 milhões de euros;
  • 2027/28: 18,4 milhões de euros;
  • 2028/29: 5,8 milhões de euros.

Apesar da redução, Londres garantiu que continuará a apoiar Moçambique em áreas como energia limpa, alterações climáticas e transição energética, incentivando também o investimento privado.

Inflação Continua a Subir

Dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) mostram que a inflação homóloga aumentou para 7,51% em Junho, acima dos 7,28% registados em Maio.

A inflação mensal desacelerou para 0,2%, mas os preços continuam elevados em vários bens e serviços essenciais. Desde o início do ano, a inflação acumulada atingiu 5,4%, impulsionada principalmente pelo aumento dos combustíveis registado em Maio.

  • Gasóleo: +45,5%;
  • Gasolina: +12,1%.

Face ao cenário económico, o Banco de Moçambique decidiu manter a taxa MIMO em 9,25% e reforçar as reservas obrigatórias dos bancos para conter novas pressões inflacionistas. A instituição admite que a inflação poderá voltar aos dois dígitos caso persistam factores externos adversos.

Alerta Para Possível Regresso à Lista Cinzenta

O Gabinete de Informação Financeira de Moçambique (GIFiM) alertou que existe um risco real de o país regressar à lista cinzenta do GAFI em 2030 caso as actuais reformas no combate ao branqueamento de capitais e financiamento do terrorismo não sejam mantidas.

Moçambique entrou nessa lista em 2022 e conseguiu sair em Outubro de 2025, após cumprir um conjunto de reformas exigidas pelo organismo internacional.

Segundo o GIFiM, a próxima avaliação internacional terá início em 2029, exigindo que o país continue a fortalecer os mecanismos de prevenção, investigação e combate aos crimes financeiros.

Reforma na Administração Pública

O Governo criou igualmente uma comissão interministerial para coordenar a reafectação dos recursos humanos, materiais e patrimoniais dos extintos serviços provinciais de representação do Estado.

A medida integra o novo modelo de governação descentralizada e poderá gerar uma poupança anual superior a 1,2 mil milhões de meticais, através da eliminação de estruturas duplicadas e do aumento da eficiência administrativa.

Perspectivas

A combinação da redução da ajuda externa, do aumento da inflação e dos desafios relacionados com o combate ao branqueamento de capitais coloca a economia moçambicana perante um período de maior incerteza.

Nos próximos meses, a capacidade do país para controlar a inflação, atrair investimento privado, reforçar as receitas internas e preservar a confiança dos parceiros internacionais será determinante para garantir a estabilidade económica e o crescimento sustentável.


Fonte: Adaptação de informações publicadas pela Voz Africano. Texto original de Paula Nhampossa, José e Janukha.